terça-feira, 11 de agosto de 2009

À Posteridade.

Sete recomendações para um sobrevivente do apocalipse:

1) Se tiver visão e audição, não creia em tudo que elas captarem;

2) Se quiser fazer o bem, faça-o sem expectativa de retorno;

3) Se discordar de um trabalho alheio, faça melhor sem criticar;

4) Se criar um objeto de troca, não o acumule, nem o cobice;

5) Se errar, perdoe-se o bastante para voltar atrás e acertar;

6) Se prometer, lembre-se de cumprir ou de retratar-se;

7) Se perder de vez a esperança, pelo menos encontre a fé.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Vento Sem o Tempo.

Imerso em rotinas,

Ouvi seus apelos;

Você, minha natureza,

Pedindo atenção.

Sacudindo cortinas,

Desmanchando cabelos;

Conduzindo beleza,

Ofertando perdão.

Você vinha no vento,

E eu me via sem tempo.

Só quando veio o silêncio,

É que o meu tempo passou.

Não odeio você, nem me perdoo;

Não sei quem dos dois merece.

Creio que o destino ao qual voo

Não é tão ruim como parece.

Mas se não é bom para você,

Fique, nem que seja por amar.

O vento lhe trará notícias se,

Algum dia, o tempo voltar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Soneto da Lareira.

Além de cinza, tudo gelado.

Dia perfeito para nada.

Há muitos degraus na escada,

Mas o mundo está parado.


De um lado, vê-se a sala vazia.

Do outro, a vigia é a tarde fria.

Tudo embaçado, nada de sol...

Companhia, só um cachecol.


Como vinho bom não precisa ser caro,

À noite pode haver sol em seu olhar,

À beira da lareira da sala de estar.


Ao som tranquilo do seu suspirar,

O amor parecerá muito mais claro,

Quando, finalmente, o fogo se apagar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mesmice ao quadrado no planalto.

Acabo de tomar conhecimento, através de uma reportagem publicada pela Folha on-line, da composição do grupo abaixo:

Demóstenes Torres (DEM-GO)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Eliseu Resende (DEM-MG)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Gim Argello (PTB-DF)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
Inácio Arruda (PC do B-CE)

Informa a reportagem que, ao ser questionado se o colegiado ficaria desacreditado pela ligação dele com os denunciados José Sarney e Renan Calheiros, o Sr. Paulo Duque (PMDB-RJ), recém-eleito presidente do conselho, reconheceu que sua atuação não será totalmente independente. "Não existe independência total na política", afirmou. Duque tem nas mãos o poder de rejeitar sumariamente as denúncias e representações contra senadores. "Não tenho conhecimento das denúncias, mas vamos analisar durante o recesso", disse.

Não sei porque, mas esse brilhante "conselho de ética" me faz lembrar, como se tivesse acabado de escrever agora, a crônica "Pizzaria Federal", que escrevi em 2007:

http://italo-jr.blogspot.com/2007/11/pizzaria-federal.html

Coincidentemente, assim como naquela época em que escrevi a crônica acima, no último final de semana eu também estava em Brasília, que por sinal, se esvaziou tanto no domingo, que o aeroporto entrou em colapso, com atrasos intoleráveis e filas intermináveis nos guichês de atendimento da maioria das caras e subdimensionadas companhias aéreas brasileiras, levando à inacreditável piora do rotineiramente péssimo nível de serviços daquele aeroporto.

Infelizmente, as coincidências provavelmente, não pararão por aí...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pequenina.

Ser pequenina é irradiar beleza homeopaticamente, em doses iguais,

E ter a certeza de que o amparo pode tardar, mas não faltará jamais.

É ser um bonsai frondoso rodeado pelas lindas cores do jardim da vida,

E ser tão exuberante quanto as pétalas são para a primavera florida.


É carregar em um sorriso tudo aquilo que acreditar que é preciso.

E sonhar com um castelo de amor onde possa construir seu paraíso.

É se sentir gigante nos momentos em que a luta da vida lhe desafia,

E considerar mais importante cada pessoa querida em quem confia.


É saber que seu aniversário será sempre lembrado,

E querer transformá-lo em um sonho encantado,

Para ter todos aqueles que ama ao seu lado.


É caminhar entre passos de realidade e fantasia,

E acreditar possuir tudo o que mais queria,

Para aceitar como presente esta pequenina poesia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Soneto do Alto da Glória.

...



Daqui do alto, veem-se prédios imóveis que não veem.

Veem-se carros que, apesar de móveis, também não veem.

Vê-se que as pessoas que passam, às vezes, também se veem.

Vê-se que, ultimamente, as pessoas só querem se ver às vezes.



Daqui do alto, parece que tudo que aparece é enorme.

Parece que a saudade, que não aparece, também é enorme.

Parece também que, às vezes, não aparecer, também faz crescer.

Parece que, ultimamente, eu só quero aparecer às vezes.



O alto, nem sempre é da glória, também pode ser da quinze - Espera!

Quinze de novembro é o dia que só aparece uma vez por primavera -

Para quem vive ou vegeta ao sul da linha que ao meio divide a Terra.



Da glória, nem sempre precisa ser o alto, também pode ser a marina -

Aquela das lanchas, no Rio, que apesar de bela, não parece ser gentil -

Que traz a saudade da juventude de outrora, aqui pro Alto da Glória.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Segunda Gelada

Não, não se trata daquela maravilhosa garrafa de cerveja vestida de noiva que o garçom costuma trazer quando a primeira da noite acaba.

Também não é aquela situação imaginária em que você se encontra no auge do charme, duas pessoas muito atraentes lhe dão a maior bola e você, friamente e com ar decidido, ignora uma após a outra, na ilusão de que o destino reserva alguém melhor para lhe provocar paixão.

É simplesmente um mês de junho que começou, caprichosamente, com uma segunda-feira em que os termômetros, ao serem despertados pela chegada da manhã cinzenta, não precisaram de mais que um dígito solitário para cumprir o seu papel informativo com gélida precisão.

É a natureza, que novamente mostra sua face mais dominadora, aquela que arranca das pessoas a necessidade da procura por calor humano, companheirismo e aconchego, à espera do florescer de uma amena primavera que anuncie triunfante a proximidade de um novo verão.

É o momento da adega se sentir mais fundamental que o freezer.

Das pantufas demodês caminharem mais que as vedetes havaianas.

E dos aquecedores elétricos aumentarem drasticamente de preço...